Maio 14, 2008...7:29 pm
A sorte do berço pra quem quer estudar jornalismo
Quem pretende levar a sério o curso jornalismo na faculdade tem que se preparar pra ler, ler muito e, além disso, perceber que identificar “quem é quem no mundo” é quase tão importante quanto o conhecimento teórico na produção de uma matéria.
Todo professor espera que o aluno leia muitos jornais, revistas e ainda conheça programas de televisão e ouça programa de radiojornalismo. Pra mim, que tenho um berçinho (leia-se “meus pais bancam meus estudos”) é um pouco difícil, imagino como deva ser para aqueles que não tem a chamada “sorte”.
Aqui em casa assinamos apenas o Jornal de Jundiaí, mas é claro que por mim também assinaríamos Folha e mais algumas revistas como Época, Veja, National etc. Infelizmente não dá, e embora eu prefira ler à noite, não vejo muita alternativa a não ser ficar um tempo a mais na faculdade pra ler alguns jornais e revistas que ficam disponíveis na biblioteca.
Além do gasto que é possível ter com essas leituras semanais ou diárias também há os livros. Ah… os livros! Fico até triste, ultimamente tenho admirado mais as re-leituras do que os lançamentos.
E quanto aos equipamentos eletrônicos? Já imaginou não ter computador? Impossível! Bom mesmo seria se cada aluno tivesse sua própria máquina fotográfica e gravador de voz digital.
Comigo o problema é um pouquinho diferente
Moro longe, não só de São Paulo, mas em Jundiaí também. Aqui não temos acesso à banda larga, nem à internet via rádio e por isso fico a mercê da “bendita” conexão discada- um horror pra quem ainda lembra o que é isso. A partir daí já tenha em mente que tudo leva mais tempo, até pra entrar na caixa de e-mails. Pior é ter que fazer uma pesquisa e para isso levar o dia todo, ou tentar ouvir uma rádio on-line sem que eu ouça “Eu sou… (fazendo buffer) … Bom dia”. E o YouTube? Uma ilusão - tanta coisa interessante já me passaram pra assistir. Mas não se trata só de YouTube não, é qualquer vídeo, de qualquer site, simplesmente não dá pra ver!
A professora Suely Maciel bem tem razão quando diz que não temos ouvido rádio. Às vezes enquanto volto pra casa procuro ouvir meu mp3, mas chega numa parte entre “cá e lá” que tudo sai fora do ar e se torna mais fácil encontrar uma música do Akon ou da Fergie do que uma notícia. Aí quando entro no carro, não tem som! Quando chego em casa pra onde vou? Se não for pro computador é para televisão, e o dia acaba sem notícia de rádio. A alternativa que me resta é ouvir a CBN pelo canal de rádios da Sky. Ufa!
Rotina perfeita. De manhã estuda. À tarde estuda, lê e ouve rádio. À noite lê mais um pouco ou termina de fazer alguma “análise”. Quando chega o final de semana vai ao cinema, teatro, show, evento, palestra, ciranda ou qualquer coisa cultural.
São Paulo tem uma vida cultural tão intensa, com tanta peça, tanto filme, tanto curta e tanto show… e “palestra”! E se eu pudesse iria! Me sinto um pouco deslocada quando algum professor pergunta “Já foram em tal lugar? Já assistiram não sei o quê? Já visitaram a exposição?”. Nessas horas bate aquele pensamento bobo de quem sente que estará sempre defasado porque não teve as mesmas oportunidades, mas aí eu penso mais um pouco e lembro que o sucesso não vem só para aqueles que têm tudo à porta de casa. A dedicação faz o profissional, minha batalha continua.





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